As apps de monitorização do ciclo são responsáveis pelo aumento das gravidezes não planeadas?
- Bárbara Yu Belo
- 17 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de jul.
Nos últimos dias, alguns meios de comunicação lançaram títulos alarmistas sobre o aumento das gravidezes não planeadas, apontando o dedo às apps de monitorização do ciclo e aos métodos naturais. Mas, ao analisar o estudo citado, a história parece bem diferente.
O que dizem os números?
Um estudo recente publicado no BMJ Sexual & Reproductive Health analisou os padrões de uso de métodos contracetivos entre mulheres que procuraram uma IVG. Os dados mostram que:
O uso de métodos de perceção da fertilidade (Fertility Awareness Methods - FAMs) entre estas mulheres aumentou de 0,4% em 2018 para 2,5% em 2023.
O maior aumento foi entre as mulheres que não estavam a usar qualquer método contracetivo, que passou de 56% para 70%.
Ou seja, mais de 19.000 mulheres deixaram completamente de usar métodos convencionais.
Se o estudo demonstra alguma coisa, é que o problema é bem maior do que "apps de monitorização não serem fiáveis". Ele revela que um número crescente de mulheres está a desistir das opções disponíveis porque estas não respondem às suas necessidades.
Apps de monitorização do ciclo, monitores de fertilidade e métodos naturais: é tudo a mesma coisa?
Um dos problemas dos títulos recentes é que agrupam indiscriminadamente todas as apps de monitorização do ciclo, ignorando diferenças importantes:
Algumas apps apenas registam o ciclo menstrual e não foram concebidas para evitar ou conseguir uma gravidez.
Os Métodos de Perceção da Fertilidade (FAMs) não são simples apps. Quando ensinados corretamente, baseiam-se em biomarcadores cientificamente validados e têm eficácia comparável a outros métodos bem estabelecidos.
Alguns métodos cálculo-térmicos, usados em monitores de fertilidade (FemTech), utilizam medições da temperatura basal para identificar a fase fértil do ciclo. Estes métodos contam com estudos de precisão e são baseados em princípios científicos sólidos.
Ignorar estas distinções e sugerir que "as mulheres engravidam porque usam apps" é uma simplificação enganadora.
Por que é que tantas mulheres estão a desistir dos métodos convencionais?
O que este estudo realmente sugere é que as mulheres estão cansadas de métodos que não lhes servem. A contraceção continua a ser uma carga desproporcionalmente assumida pelas mulheres e envolve um equilíbrio difícil entre:
custo
tempo
efeitos secundários
impacto hormonal
impacto na saúde mental
São anos de tentativa e erro para encontrar uma opção com menos consequências para a saúde física, mental e emocional. E, para muitas, essa opção simplesmente não existe.

O foco deve estar na educação e no acesso a opções reais
Em vez de responsabilizar as mulheres por procurarem alternativas, precisamos de refletir sobre o que as leva a abandonarem os métodos convencionais.
A solução não passa por espalhar medo e desinformação em torno da monitorização do ciclo ou dos métodos naturais, mas sim por garantir que todas as mulheres têm acesso a informação baseada em evidência científica e podem fazer escolhas verdadeiramente informadas.
Tu mereces melhor.
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