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Engravidar: a fertilidade natural deveria ser o ponto de partida

A fertilidade natural como ponto de partida e não como uma estrada secundária


No dia 2 de novembro, assinala-se o Dia Mundial da Fertilidade, e em torno dessa data, assistimos, um pouco por todo o lado – na comunicação social, nas redes sociais – a um aumento nas campanhas de sensibilização sobre o tema.


Muitas dessas campanhas focam-se especialmente na infertilidade e nos métodos de reprodução medicamente assistida. Não pretendo, com isto, minimizar a importância de sensibilizar para esta realidade difícil, que afeta atualmente cerca de 1 em cada 6 casais.


No entanto, aquilo que muitas vezes sinto é que temas como a fertilidade natural, a conceção natural e a literacia sobre o ciclo e a saúde menstrual acabam por ficar em segundo plano, quando, na verdade, deveriam ser o ponto de partida.


Compreender o ciclo menstrual e dar a devida importância à saúde menstrual é um passo essencial para cuidarmos do nosso bem-estar e, ao mesmo tempo, estarmos informadas para fazer escolhas que respeitem o nosso corpo.

Afinal, a saúde menstrual não se resume ao ciclo em si, mas envolve fatores tão importantes como a alimentação, o sono regular, a nutrição adequada e, em muitos casos, a suplementação. Existem estudos bem elaborados que demonstram os benefícios da suplementação na fertilidade, mas é curioso e, até certo ponto, preocupante, que ainda haja profissionais de saúde a dizer que “não faz bem nem mal.” Essa postura revela um certo desconhecimento e perde-se uma oportunidade de dar às pessoas informação realmente útil para cuidarem da sua saúde de forma consciente.


A literacia do ciclo: uma base fundamental para a saúde

O ciclo menstrual é um reflexo de saúde e equilíbrio que nos acompanha em cada etapa da vida fértil. No entanto, poucas de nós cresceram a ver o ciclo para lá de um conjunto de sintomas ou “inconveniências.”

A literacia menstrual, ao contrário de uma matéria opcional, deveria ser uma base fundamental da nossa educação em saúde, permitindo-nos compreender a fertilidade como uma expressão do bem-estar físico e emocional.

Saber interpretar o ciclo menstrual é como ter um “manual do utilizador” do nosso próprio corpo, ajudando-nos a identificar desequilíbrios, monitorizar a saúde e agir de forma consciente. E esta literacia não é relevante apenas para quem quer engravidar ou evitar uma gravidez – é uma ferramenta de autoconhecimento e autocuidado.


A escolha da 'pílula' sem conhecimento do ciclo: uma solução ou um adiamento?

Quando o carro tem um problema no motor, a solução nunca é apenas desligar a luz de aviso no painel. Mas, no que toca ao corpo, a pílula é muitas vezes sugerida como uma solução universal, sem explicar as causas subjacentes. Quantas mulheres sabem que, ao tomar a pílula para “regular” o ciclo ou tratar sintomas como dores menstruais ou acne, o verdadeiro problema pode permanecer latente ou até agravar-se?


Esta falta de informação é profunda e com impacto: mulheres que, mais tarde, enfrentam dificuldades para engravidar ou para compreender o próprio corpo acabam por perceber que a solução temporária não resolveu a causa, apenas a disfarçou. É essencial que temas como a literacia menstrual sejam parte integrante da educação em saúde.


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Porque é que a literacia menstrual é uma prioridade?

No meu trabalho, dedico-me a descomplicar e democratizar o conhecimento sobre saúde menstrual e fertilidade. Através das redes sociais, dos órgãos de comunicação social e do meu livro, partilho uma visão prática para dar a cada mulher e pessoa que menstrua as ferramentas necessárias para compreender o corpo e viver em sintonia com ele.

Esse conhecimento permite-nos tomar decisões mais informadas, seja para tratar desequilíbrios, seja para viver em harmonia com o ciclo.


Um convite a uma visão mais consciente da saúde menstrual

Neste Dia Mundial da Fertilidade, o convite é para trazermos a literacia menstrual para o primeiro plano, reconhecendo a sua importância como ponto de partida. A saúde menstrual é uma peça fundamental do nosso bem-estar e merece ser vista e compreendida com essa profundidade.


Sugestões para valorizar e cuidar da fertilidade e saúde menstrual:

  • Observa o teu corpo com curiosidade: O ciclo menstrual é mais do que um calendário. Ao longo de cada fase, repara como o teu corpo responde em termos de energia, emoções e bem-estar. Esta informação é valiosa e ajuda a identificar o que pode precisar de atenção.

  • Vai ao encontro do conhecimento: Livros, dispositivos como o Daysy e o apoio de educadoras menstruais, nutricionistas, instrutoras de fertilidade e outros profissionais qualificados são recursos que ajudam a acompanhar a saúde menstrual de forma informada.

  • Cuida da tua saúde de forma integrada: Pequenas ações de autocuidado no dia a dia, como uma alimentação ajustada e o descanso adequado, são passos que ajudam a preservar o equilíbrio e o bem-estar.


Trazer este conhecimento para o primeiro plano não é apenas uma escolha pessoal; é um passo em direção a uma vida mais equilibrada, onde cada ciclo nos ajuda a conhecer melhor o nosso corpo e a fazer escolhas que refletem os nossos valores e necessidades.


Porque, em última análise, a fertilidade é mais do que uma meta – é uma parte essencial de quem somos e merece ser respeitada e cuidada ao longo de cada fase da vida.

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