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Como lidar com o medo engravidar

Atualizado: 26 de jul.

Mesmo que o queiramos muito, será possível vivermos sem medo de engravidar? Como lidar com este medo do desconhecido?


Como diz a autora Elizabeth Gilbert no seu livro Big Magic ter coragem é fazer algo assustador e não ter medo é não ter nem sequer noção do que a palavra ‘assustador’ significa."


Segundo ela, as únicas pessoas que verdadeiramente não têm medo são os sociopatas ou as crianças pequenas, que estão a construir os seus limites. De resto, todos nós temos medo. O medo protege-nos dos perigos reais e, bem, também dos imaginários, é verdade. 😉


Se todos temos medo, o que fazer?

A chave poderá estar em saber trabalhar com, e não contra, o medo que habita em nós, num cantinho da nossa alma. E talvez até dar-lhe espaço. Fazê-lo sair do canto, da sombra e trazê-lo para conversar connosco.


No mesmo livro, que fala sobre Criatividade a autora partilha uma ferramenta que usa de cada vez que vai embarcar numa nova “aventura criativa” que é, nada mais nada menos, um discurso de boas vindas dirigido ao medo.


Acredito que a criatividade e a fertilidade têm muito em comum. Ambas são como uma viagem sem mapa — seguimos com uma intenção, mas sem saber exatamente o que nos espera. É preciso coragem para avançar sem certezas, espaço para deixar acontecer, e uma certa confiança nesse território entre o que se planeia e o que simplesmente acontece. Nem sempre estamos atentas ou preparadas para o que surge, mas é nesse desencontro — ou nesse encontro inesperado — que muita coisa ganha forma. Tanto ao criar como ao conceber, somos convidadas a abandonar o controlo e a permitir que algo maior do que nós se revele, no seu tempo. E talvez seja justamente isso que nos transforma: o inesperado da viagem, e tudo o que ela nos desperta.


Vou tentar traduzir aqui para ti um excerto do livro Big Magic em que vou, deliberadamente, substituir as duas palavras:

“ Caríssimo medo: a Fertilidade* e eu vamos fazer uma viagem juntas. Eu compreendo que te vás juntar a nós, porque é algo que sempre fazes. Eu reconheço que tu próprio acreditas que tens um papel importante na minha vida, e que levas o teu trabalho muito a sério. (…) Por isso, por favor, continua a fazer o teu trabalho, se sentes que precisas. Mas eu também vou fazer o meu trabalho nesta viagem, que é trabalhar com afinco e manter-me focada. E a Fertilidade* também vai fazer o seu trabalho que é manter-se estimulante e inspiradora.Há imenso espaço neste veículo para nós todos, por isso sente-te em casa, mas compreende isto: a Fertilidade* e eu somos as únicas que iremos tomar as decisões no caminho. Eu reconheço e respeito que fazes parte desta família, e por isso nunca te iria excluir das nossas atividades, mas mesmo assim – as tuas sugestões nunca serão tidas em conta. Tu tens direito a um assento, e tens direito a uma voz, mas não tens direito de voto. Tu não tens direito de tocar nos mapas; nem de sugerir atalhos (…) Tu nem sequer tens permissão para mexer no rádio. Mas, acima de tudo, meu querido velho e familiar amigo, estás expressamente proibido de conduzir.”

*palavra original: Criatividade


Desta forma, acredito que é mais fácil abraçar com serenidade cada uma das decisões que compõem a nossa vida — seja escrever um livro, compor uma música ou conceber um filho. Não porque o medo desaparece, mas porque aprendemos a dar-lhe o lugar certo: ao nosso lado, e não no lugar do volante.


Talvez seja isso que verdadeiramente nos liberta — saber que o medo vem connosco, mas não comanda o caminho.


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